Split, Croatia
Roman ruins, beaches, islands, seafood
Old Town, Split
Passas o dia inteiro dentro das muralhas de Diocleciano, e em Split isso não é força de expressão. O palácio continua a ser um bairro habitado, com roupa estendida por cima de pedra romana e cerca de três mil pessoas a viver lá dentro. Começas com um café numa rua lateral, desces às caves abobadadas, sobes ao campanário da catedral pelos telhados de telha e acabas na Riva a ver os ferries partir para as ilhas.
Calçado com boa sola faz diferença, o calcário das ruas está polido por séculos de passos e fica escorregadio mesmo seco. A subida ao campanário é estreita e vertical, com degraus abertos de um dos lados, por isso evita-a se não te deres bem com alturas. Em agosto o Peristilo apanha sol a pique entre as 11h e as 16h, leva água e chapéu. A Villa Spiza não aceita reservas e tem poucos lugares, portanto chega à hora de abrir ou conta esperar. No Bokeria reserva com um dia de antecedência. Para a catedral há bilhete conjunto com a cripta, o batistério e o tesouro, e compensa se quiseres ver tudo.
Tudo se faz a pé, sem exceção. Do café à catedral são cinco minutos, da catedral à Villa Spiza outros cinco, e a Riva está encostada à muralha sul do palácio. O centro histórico é pedonal e a orientação faz-se pelos quatro portões antigos, a Porta Áurea a norte, a de Prata a nascente, a de Ferro a poente e a de Bronze virada ao mar. Se te perderes nas ruelas, desce sempre, o mar está sempre em baixo.
O café aqui é ritual social, não combustível. Ninguém bebe de pé ao balcão, senta-se e fica uma hora. Ao fim da tarde vais apanhar a corso, o passeio lento pela Riva e pela Marmontova, sobretudo entre as 18h e as 20h. Dentro da catedral pedem ombros e joelhos cobertos. E uma palavra que vais ler em todo o lado, konoba, é a taberna dalmata de sempre, comida simples e peixe do dia.
D16 Coffee
Uma pequena casa de café de especialidade numa rua lateral dentro das muralhas do palácio de Diocleciano, das primeiras em Split a torrar o próprio café.
Diocletian's Palace
O palácio-fortaleza que o imperador Diocleciano mandou construir para a sua reforma, hoje transformado no centro histórico habitado de Split.
Cathedral of St. Domnius
A catedral de Split, instalada no mausoléu octogonal de Diocleciano, com um campanário românico que domina o centro histórico.
Villa Spiza
Uma konoba minúscula junto ao mercado verde, com cozinha aberta e uma ementa que muda todos os dias conforme o que chega.
Riva waterfront
A avenida marginal de Split, com palmeiras, esplanadas e a muralha sul do palácio de Diocleciano como pano de fundo.
Bokeria Kitchen & Wine Bar
Restaurante e bar de vinhos a um quarteirão da Riva, com cozinha mediterrânica contemporânea e uma sala de pé-direito alto.
Marjan, Split
Marjan é o pulmão de Split e arranca mesmo onde acaba a cidade velha. De manhã sobes pelas escadarias do bairro do Varoš até ao primeiro miradouro, segues o trilho da crista por entre capelas de eremitas medievais e depois desces para o lado sul, onde a água fica turquesa. A tarde é de banhos em Kašjuni, com uma paragem pela villa que Ivan Meštrović desenhou para si próprio, e a noite acaba numa konoba de bairro.
Faz a subida antes das 10h, porque depois o sol bate em cheio nas escadas e não há sombra até chegares ao pinhal. Ténis ou sandálias de trilho, o piso tem pedra solta. Kašjuni é praia de calhau, e uns sapatos de água poupam-te os pés e os encontros com ouriços junto às rochas. Leva pelo menos um litro e meio de água por pessoa, os bebedouros no monte são poucos. A Galeria Meštrović fecha à segunda-feira e o bilhete inclui o Kaštelet, mas confirma o horário no próprio dia. Protetor solar alto, toalha e algum dinheiro para a espreguiçadeira.
Do centro até ao miradouro do Vidilica são umas centenas de degraus a partir do Varoš, uns 15 minutos em passo calmo. Dali ao cume do Telegrin, a 178 m, são mais 40 minutos de trilho quase plano e à sombra. Para descer até Kašjuni segue a estrada do lado sul, cerca de meia hora a pé. Se as pernas já disserem que não, há autocarro urbano da Riva até Bene, no extremo da península, e táxis à espera junto ao mercado. À noite, do Varoš ao centro são cinco minutos.
Marjan pertence a quem vive em Split muito mais do que a quem visita. Vais cruzar-te com gente a correr antes do trabalho e com famílias a fazer piquenique debaixo dos pinheiros ao domingo. As capelas que aparecem no trilho, Sveti Jere e Sveti Nikola, foram refúgios de eremitas na Idade Média e ainda abrem em dias de festa. Nas rochas de Kašjuni ninguém põe música alta, é um acordo tácito que se percebe depressa. Na konoba, o peixe inteiro vende-se ao quilo e escolhe-se antes de ir para a grelha, o que é normal e não é armadilha para turistas.
Teraca Vidilica
Café com esplanada no primeiro miradouro de Marjan, no cimo das escadarias que sobem do bairro do Varoš.
Marjan Hill
A colina arborizada que ocupa a península a poente de Split, com trilhos, miradouros e capelas antigas entre pinheiros.
Ivan Mestrovic Gallery
A casa e ateliê à beira-mar de Ivan Meštrović, o escultor croata mais conhecido do século XX, hoje museu com as suas obras em bronze, mármore e madeira.
Joe's Beach Lounge Bar
Bar e lounge de praia instalado na enseada de calhau de Kašjuni, na encosta sul de Marjan.
Kasjuni Beach
A maior praia da encosta sul de Marjan, uma enseada de calhau com água muito clara e pinhal a descer até à orla.
Konoba Fetivi
Konoba familiar no bairro antigo do Varoš, especializada em peixe e guisados dalmatas servidos numa sala pequena.
Trogir, Croatia
Trogir cabe numa ilhota entre o continente e Čiovo e percorre-se toda em duas horas, se não parares. Mas paras. O portal esculpido por Radovan na catedral de São Lourenço é a peça de escultura medieval mais importante da Croácia, a fortaleza Kamerlengo dá-te o canal inteiro do alto das muralhas, e o resto do dia é pedra veneziana, sombra e uma mesa junto à água.
O barco da manhã enche no verão, portanto chega ao cais com 20 minutos de antecedência e leva algum dinheiro trocado. Dentro da catedral pedem ombros e joelhos cobertos, e a subida ao campanário fecha com vento forte. Kamerlengo não tem sombra nenhuma lá em cima, deixa-a para antes do almoço. O bilhete da catedral costuma ser separado do da subida ao campanário, pergunta na bilheteira antes de pagar. Para o jantar no Concordia, reserva logo de manhã, as mesas de fora acabam ao pôr do sol.
Split e Trogir estão a cerca de 27 km uma da outra. O barco sazonal sai da Riva e demora perto de uma hora pela baía de Kaštela, com a costa toda à vista. O autocarro intermunicipal faz o mesmo percurso em 40 a 60 minutos, sai muito mais vezes por dia e também à noite, o que o torna a rede de segurança para o regresso. Dentro de Trogir não precisas de mais nada além dos pés, da catedral a Kamerlengo são seis minutos e a Riva liga tudo pela beira de água. Confirma a hora do último barco ou autocarro antes de te sentares para jantar.
Trogir foi fundada por colonos gregos e passou séculos sob domínio de Veneza, e isso lê-se nas fachadas, nas varandas e nos leões alados que aparecem em meia dúzia de portas. A UNESCO classificou o núcleo antigo em 1997. Ao almoço, pašticada é o prato de festa dalmata, carne marinada em vinagre e vinho tinto e servida com gnocchi, que leva horas a fazer e por isso raramente é o prato mais rápido da casa. Fora da rua principal o ritmo muda por completo, as ruelas são estreitas e frescas, e continua a viver gente ali.
Bura Line boat to Trogir
Ligação marítima sazonal de passageiros entre a Riva de Split e o cais de Trogir, ao longo da baía de Kaštela.
Cathedral of St. Lawrence
A catedral de Trogir, dedicada a São Lourenço, com um portal românico esculpido e um campanário que demorou séculos a ficar pronto.
Kamerlengo Fortress
Fortaleza veneziana na ponta poente da ilhota de Trogir, com uma torre alta e muralhas que se podem percorrer.
Konoba Trs
Konoba instalada numa casa de pedra e madeira do centro antigo de Trogir, com pátio interior e cozinha dalmata clássica.
Trogir Riva
O passeio marginal de Trogir, virado ao canal que separa a ilhota da ilha de Čiovo, ladeado por palmeiras e edifícios antigos.
Restaurant Concordia
Restaurante de peixe e marisco na marginal de Trogir, num edifício de pedra antigo com esplanada virada ao canal.
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