Kyoto, Japan
temples, autumn leaves, kaiseki, tea houses
Higashiyama, Kyoto
Chuvisco
Sobes o flanco sul da cidade, do vermelho de Fushimi Inari até às ladeiras de pedra por baixo do Kiyomizu-dera. A subida entre os torii até ao miradouro de Yotsutsuji leva cerca de meia hora e é aí que a maior parte das pessoas dá meia volta, o que te deixa o resto do monte quase vazio. Ao meio-dia o registo muda, com o palco de madeira do Kiyomizu, um almoço demorado de tofu num jardim e chá verde a meio da encosta. Ao fim da tarde acendem-se as lanternas de Gion e o dia acaba a uma bancada de teppan.
Calçado de caminhada, sem discussão, porque são muitos degraus e pedra irregular. Leva camadas: as manhãs no monte são frias e à tarde aquece. Traz dinheiro vivo, que resolve o que o cartão não resolve em casas pequenas e em algumas bilheteiras de templos. Ao fim de semana, reserva o almoço no Okutan com antecedência. Fushimi Inari não fecha nem cobra entrada, por isso a hora é escolha tua. Antes das nove há silêncio, depois das dez há fila para a fotografia dos torii.
Da estação de Quioto, a linha JR Nara deixa-te em Inari em cinco minutos. Para o Kiyomizu, apanha a linha Keihan em Fushimi Inari até Kiyomizu-Gojo e sobe a pé uns quinze minutos, que é mais previsível do que o autocarro no meio do trânsito. Do templo até Gion faz-se tudo a pé pelas ladeiras de Sannenzaka e Ninenzaka, meia hora com paragens pelo meio. Um cartão ICOCA ou Suica poupa-te bilhetes em cada validação.
Nos santuários xintoístas caminha-se ao lado do eixo central do caminho, reservado aos kami, e lavam-se as mãos no temizuya antes de chegar ao altar. Em Gion, as vielas privadas têm proibição de fotografia sinalizada e com coima. As geiko e maiko que passam apressadas vão a caminho do trabalho e não são uma atração, por isso não as pares nem lhes toques. Ao balcão do teppan, come-se diretamente da chapa com a espátula pequena e não se mexe no que o cozinheiro está a virar.
Fushimi Inari Taisha
68 Fukakusa Yabunouchicho
Santuário xintoísta dedicado a Inari, kami do arroz, das colheitas e da prosperidade, com milhares de torii vermelhos a cobrir os trilhos que sobem o monte Inari.
Vermillion Espresso Bar & Info
Bar de café de especialidade junto a Fushimi Inari, de estilo australiano, com torra clara e leite bem trabalhado.
Kiyomizu-dera
1-294 Kiyomizu
Templo budista na encosta de Higashiyama, conhecido pelo palco de madeira suspenso sobre a vertente e pela nascente que lhe deu o nome, água pura.
Okutan Kiyomizu
Restaurante de yudofu junto ao Kiyomizu-dera, com salas de tatami sobre um jardim de musgo e menus de tofu quente servidos em panela de barro.
Sannenzaka tea house
Casa de chá nas escadas de Sannenzaka, a ladeira de pedra que liga a zona do Kiyomizu-dera ao resto de Higashiyama.
Gion evening stroll
O bairro histórico das casas de chá de Quioto, entre o santuário Yasaka e o rio Kamo, onde ainda trabalham geiko e maiko.
Gion Tanto
Casa pequena de okonomiyaki e teppanyaki em Gion, com bancada em volta da chapa e menu curto.
Arashiyama, Kyoto
Nublado
O dia inteiro assenta na hora a que sais da cama. O bambuzal não fecha nem cobra entrada e antes das oito é um corredor verde silencioso, o mesmo sítio que às dez tem centenas de pessoas de costas para ti. O Tenryu-ji abre às oito e meia e o jardim do lago vale mais do que os edifícios. Depois vem o café à beira-rio, o almoço de soba com a ponte à janela e a travessia da cidade até ao Kinkaku-ji, que é curto de visitar mas fica melhor com a luz do meio da tarde. O Nishiki fecha ao início da noite, por isso deixa-o para as quatro e meia.
A manhã junto ao rio é bastante mais fria do que o resto do dia, leva um casaco que possas tirar. Dinheiro vivo para o Nishiki, onde muitas bancas ainda não aceitam cartão. No Tenryu-ji, o bilhete do jardim e o dos edifícios são separados, e para a maioria das pessoas o jardim chega. O Kinkaku-ji faz-se num sentido único, sem voltar atrás, por isso não passes o pavilhão sem tirares a fotografia que querias.
A linha JR Sagano leva-te da estação de Quioto a Saga-Arashiyama em cerca de quinze minutos, e o elétrico Randen, mais lento, entra no bairro pela rua. De Arashiyama ao Kinkaku-ji não há ligação direta simpática: conta perto de três quartos de hora entre elétrico e autocarro, ou um táxi em menos de meia hora se forem dois a dividir. Do Kinkaku-ji ao centro, o autocarro 12 ou 205 deixa-te à porta do Nishiki.
O bambuzal é uma plantação em uso, não um cenário, e há canas com nomes gravados por visitantes que os moradores detestam. No Nishiki, a regra tácita é comer junto à banca onde compraste e não andar a passear com comida na mão. O Kinkaku-ji continua a ser um templo em funcionamento, com monges a trabalhar ali ao lado, o que explica o pedido de silêncio nos avisos à entrada.
Arashiyama Bamboo Grove
Caminho estreito entre canas de bambu altas, junto ao Tenryu-ji, na encosta oeste de Quioto.
Tenryu-ji garden
Templo zen em Arashiyama, primeiro na hierarquia dos cinco grandes templos zen de Quioto, com um jardim de lago que se mantém tal como foi desenhado.
% Arabica Kyoto Arashiyama
Loja à beira do rio Katsura de uma marca de café nascida em Quioto, com paredes brancas, torra clara e vista para a ponte Togetsukyo.
Arashiyama Yoshimura
Casa de soba em Arashiyama, virada para o rio Katsura e para a ponte Togetsukyo, com massa de trigo sarraceno feita na casa.
Kinkaku-ji (Golden Pavilion)
Pavilhão de três andares coberto a folha de ouro nos dois pisos superiores, à beira de um lago, no noroeste de Quioto. O nome oficial do templo é Rokuon-ji.
Nishiki Market
Rua coberta de cerca de quatrocentos metros no centro de Quioto, com mais de uma centena de bancas de peixe, picles, doces e utensílios de cozinha.
Northern Kyoto
Nublado
É um dia quase todo a pé e quase todo em jardins. Abres no Ginkaku-ji, com o cone de areia e o musgo, sobes ao caminho da encosta para ver os telhados por cima das árvores e desces até ao canal. O Caminho do Filósofo são dois quilómetros de água parada, cerejeiras nuas em novembro e áceres a compensar. Depois há café numa machiya recuperada, tofu quente com vista de jardim e o aqueduto de tijolo do Nanzen-ji, que não parece nada estar onde está. O Eikan-do fica para o fim da tarde, quando a luz baixa entra nas folhas.
Na época dos áceres, o Eikan-do vende bilhete de dia e bilhete de iluminação noturna em separado, com fila considerável à entrada da noite. Se quiseres as duas coisas, come alguma coisa pelo meio. Vais descalçar-te várias vezes ao longo do dia, entre templos e restaurantes, por isso escolhe meias que não te envergonhem. O jantar kaiseki reserva-se com dias de antecedência, tem preço fechado por menu e agradece que avises alergias na marcação, não à mesa.
Da estação de Quioto, os autocarros 5, 17 e 100 sobem até Ginkakuji-michi em pouco mais de meia hora, e vão cheios. O troço do meio faz-se todo a pé, do Ginkaku-ji ao Nanzen-ji, com meia hora de caminho e várias desculpas para parar. Ao fim do dia, do Eikan-do até Pontocho, o metro da linha Tozai apanha-se em Keage e deixa-te em Sanjo Keihan, a cinco minutos da viela.
O Caminho do Filósofo deve o nome a Nishida Kitaro, o filósofo que o percorria a pé a caminho da universidade, e as cerejeiras que o marcam foram oferta de uma família de artistas do bairro nos anos 1920. No Eikan-do, a estátua principal de Amida olha por cima do ombro esquerdo, o que a torna diferente de todas as outras que vais ver em Quioto. Em Pontocho, as varandas sobre o rio funcionam do final da primavera ao início do outono, fora disso janta-se dentro, de preferência à janela.
Ginkaku-ji (Silver Pavilion)
Templo zen no sopé das colinas do leste, com um pavilhão de madeira escura, um jardim de musgo e duas esculturas de areia branca. O nome oficial é Jisho-ji.
Philosopher's Path
Caminho pedonal de dois quilómetros ao longo de um canal, entre o Ginkaku-ji e a zona do Nanzen-ji, no sopé das colinas do leste.
Blue Bottle Coffee Kyoto
Casa de café numa machiya de madeira com mais de um século, recuperada, junto ao Nanzen-ji, com pátio interior e serviço de filtrados.
Junsei
Casa de yudofu junto ao Nanzen-ji, com várias salas de tatami espalhadas por um jardim com lago.
Nanzen-ji aqueduct
Aqueduto de tijolo com arcos que atravessa o recinto do templo zen Nanzen-ji, mais parecido com uma obra romana do que com algo japonês.
Eikan-do Zenrin-ji
Templo budista da escola da Terra Pura no sopé das colinas do leste, conhecido pelos áceres e por uma estátua de Amida pouco habitual. O nome oficial é Zenrin-ji.
Pontocho kaiseki dinner
Viela estreita entre as ruas Shijo e Sanjo, paralela ao rio Kamo, cheia de restaurantes pequenos, casas de chá e bares, muitos deles com sala virada para a água.
Nara
Parcialmente nublado
Nara faz-se bem num dia porque quase tudo está dentro do mesmo parque. Sais cedo de Quioto, subes da estação até ao Kofuku-ji, atravessas para o Todai-ji e ficas com o Buda de bronze de quinze metros à frente, dentro de um dos maiores edifícios de madeira do mundo. Ao meio-dia estás no meio dos veados, à tarde sobes o caminho de lanternas de pedra até ao Kasuga Taisha e ainda tens fim de tarde para as ruas baixas de Naramachi antes do comboio de volta.
O expresso da Kintetsu chega a Nara em cerca de trinta e cinco minutos com lugar marcado e suplemento, e o rápido da JR demora um pouco mais mas está incluído no JR Pass. A estação da Kintetsu fica mais perto do parque, o que poupa quinze minutos de caminho no fim de um dia longo. Compra as bolachas dos veados só aos vendedores licenciados do parque e guarda mapas, bilhetes e sacos de papel fora do alcance deles, porque comem tudo o que seja papel.
Dentro de Nara não precisas de transportes. Da estação ao Kofuku-ji são dez minutos a subir, do Kofuku-ji ao Todai-ji uns vinte pelo parque, e do Todai-ji ao Kasuga Taisha outros vinte por um caminho de floresta com lanternas cobertas de musgo. É a parte mais bonita do percurso e a mais fácil de cortar por engano se seguires a estrada. Ao todo, conta com oito a dez quilómetros de caminho ao longo do dia.
Os veados de Nara são animais selvagens protegidos, não são mansos por natureza. Fazem uma vénia para pedir comida, aprenderam a fazê-la porque funciona, e dão marradas a quem os provoca com a bolacha na mão durante demasiado tempo. Mostra as mãos vazias quando acabares. Nos santuários, atira a moeda, faz duas vénias, bate duas palmas e faz mais uma vénia, que é a ordem que toda a gente à tua volta vai seguir.
Kyoto Station → Nara
Duas linhas ligam Quioto a Nara, a privada Kintetsu e a JR Nara. Correm quase em paralelo e terminam em pontos diferentes da cidade.
Kofuku-ji
Templo no alto de Nara, com uma pagoda de cinco andares de cerca de cinquenta metros e um museu com algumas das esculturas budistas mais importantes do Japão.
Todai-ji Great Buddha
Templo budista com um Buda de bronze de quinze metros sentado dentro de um pavilhão de madeira de proporções difíceis de julgar em fotografia.
Nara deer park
Parque enorme no centro de Nara onde vivem à solta mais de mil veados sika, entre os templos, os relvados e a floresta.
Shizuka kamameshi
Casa de kamameshi em Nara, arroz cozinhado e servido na própria panela de ferro, com peixe, legumes e cogumelos por cima.
Kasuga Taisha
Santuário xintoísta de madeira pintada de vermelhão à entrada da floresta de Kasugayama, rodeado por milhares de lanternas de pedra e de bronze.
Hiraso Naramachi
Casa antiga de kakinoha-zushi em Naramachi, o bairro de casas de comerciantes de Nara, com loja em baixo e sala de refeições em cima.
Central Kyoto
Nublado
É uma manhã curta e bem arrumada, toda a menos de vinte minutos da estação. Abres com um café tirado ao balcão numa torrefação escondida atrás de um parque de estacionamento, segues para o To-ji, onde a pagoda de madeira mais alta do Japão aparece espelhada no lago logo à entrada, e paras no Higashi Hongan-ji, que é enorme, gratuito e estranhamente silencioso para quem está a dez minutos da estação. Ramen ao almoço e ficas com tempo folgado antes de apanhar o comboio.
Os cacifos da estação de Quioto esgotam cedo, principalmente os grandes. Deixa a mala no balcão de depósito ou envia-a de véspera por takkyubin para o hotel seguinte ou para o aeroporto, que é barato e chega no dia seguinte. Se viajas com JR Pass, o Nozomi não está incluído sem suplemento, por isso apanha o Hikari e perdes uns quinze minutos, não mais. Compra o ekiben antes de passar as portas, que a escolha lá dentro é menor.
Do centro ao To-ji são quinze minutos a pé para sudoeste da estação, ou uma paragem na linha Kintetsu até Toji. Do To-ji ao Higashi Hongan-ji conta vinte minutos a pé pelas ruas paralelas à via férrea. Depois é tudo ali: a casa de ramen fica à esquina da estação e os cais do Tokaido Shinkansen estão no piso de cima, com controlo próprio. Chega vinte minutos antes se tiveres lugar marcado.
O To-ji tem mercado de velharias no dia 21 de cada mês, um dos maiores da cidade, e se o teu último dia calhar nessa data muda o plano da manhã para lá. No Higashi Hongan-ji estão expostas cordas trançadas com cabelo doado por fiéis, usadas para içar as vigas do telhado quando as cordas de cânhamo partiam. E se apanhares o Shinkansen para Tóquio, senta-te do lado direito, que é o do monte Fuji.
Weekenders Coffee Tominokoji
Micro torrefação e balcão de café numa casa de madeira escondida atrás de um parque de estacionamento, a poucos minutos do mercado Nishiki.
To-ji pagoda
Templo budista a sudoeste da estação de Quioto, sede da escola Shingon, com uma pagoda de cinco andares que se vê do Shinkansen.
Higashi Hongan-ji
Templo budista de grandes dimensões a norte da estação de Quioto, sede do ramo Otani da escola Jodo Shinshu, com dois pavilhões de madeira enormes e entrada gratuita.
Honke Daiichi-Asahi
Casa de ramen ao lado da estação de Quioto, com caldo de soja e frango, cebolinho em quantidade e fatias de porco assado.
Kyoto Station, Shinkansen out
Estação principal de Quioto, com o edifício de vidro e aço de 1997 e os cais do Tokaido Shinkansen no lado sul.
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