Kyoto, Japan
temples, autumn leaves, kaiseki, tea houses
Higashiyama, Kyoto
Garoa
É o dia mais vertical da viagem. Você começa subindo o monte Inari entre milhares de torii, desce para tomar um café perto do santuário e atravessa para o lado do Kiyomizu-dera, onde o terraço de madeira aparece pendurado sobre a encosta. Depois vem o almoço de tofu num jardim, uma pausa de matcha no meio da ladeira de Sannenzaka e, quando escurece, a caminhada por Gion. As distâncias são curtas, mas quase tudo é ladeira e degrau de pedra.
Tênis confortável, sem exceção. Você vai passar de 12 mil passos com facilidade e boa parte deles em pedra irregular. Leve uma garrafa de água e algumas moedas de 100 ienes para os armários e as máquinas de bebida.
Okutan costuma lotar nos fins de semana, então reserve com antecedência e peça a sala de tatame virada para o jardim de musgo. Em Fushimi Inari não se paga entrada e o santuário fica aberto 24 horas, o que torna a chegada antes das 9h a decisão mais barata e mais eficiente do dia inteiro. Kiyomizu-dera e a maioria dos templos cobram ingresso baixo, sempre em dinheiro em alguns guichês menores.
De Kyoto para Fushimi Inari, o trem da linha JR Nara leva cerca de 5 minutos até a estação Inari, que fica na frente do portal principal. Depois de Fushimi, o mais prático é pegar a linha Keihan até Kiyomizu Gojo e subir a pé por uns 20 minutos, ou tomar um táxi até a base da ladeira se as pernas já estiverem reclamando. De Kiyomizu-dera até Gion você desce Sannenzaka e Ninenzaka a pé, cerca de 25 minutos sem pressa, e é o trecho mais bonito do trajeto. O IC card (ICOCA ou Suica) funciona em trens, ônibus e lojas de conveniência.
Gion é um bairro onde as pessoas moram e trabalham. As geiko e maiko que você vê por volta das 18h estão indo trabalhar, não posando. Em várias vielas particulares de Hanamikoji fotografar é proibido e há multa, sinalizada em placas. Nada de seguir ninguém, nada de flash. No santuário, a ordem é lavar as mãos no chozuya, jogar a moeda, curvar-se duas vezes, bater palmas duas vezes e curvar-se mais uma.
Fushimi Inari Taisha
68 Fukakusa Yabunouchicho
O santuário xintoísta mais importante dedicado a Inari, no sopé do monte Inari, em Kyoto. Milhares de portais vermelhos formam túneis que sobem pela montanha inteira.
Vermillion Espresso Bar & Info
Um espresso bar pequeno e independente no bairro de Fukakusa, a poucos passos da entrada do Fushimi Inari.
Kiyomizu-dera
1-294 Kiyomizu
Templo budista na encosta leste de Kyoto, conhecido pelo enorme terraço de madeira suspenso sobre a mata. É Patrimônio Mundial da UNESCO.
Okutan Kiyomizu
Restaurante de yudofu, o tofu servido fervido em caldo leve, com salas de tatame voltadas para um jardim, perto do Kiyomizu-dera.
Sannenzaka tea house
Casa de chá numa das ladeiras de pedra que ligam o Kiyomizu-dera ao bairro de Gion, entre lojas de cerâmica e doces.
Gion evening stroll
O bairro de casas de chá de Kyoto, entre o rio Kamo e o santuário Yasaka, com ruas de madeira escura e lanternas na fachada.
Gion Tanto
Casa de okonomiyaki em Gion, com balcão de teppan onde a massa é grelhada na frente do cliente.
Arashiyama, Kyoto
Nublado
O dia começa muito cedo e vale cada minuto de sono perdido. Antes das 8h o corredor de bambu de Sagano fica quase só seu, com a luz baixa entrando de lado. Em seguida você entra no Tenryu-ji pelo portão norte, contorna o lago Sogenchi e sai para o rio Katsura, onde ficam o café e o almoço de soba. A tarde é do Kinkaku-ji, no noroeste da cidade, e o fim do dia é comendo de barraca em barraca no mercado Nishiki, no centro.
O trecho Arashiyama para Kinkaku-ji é o mais longo da viagem, então saia do bairro com tudo resolvido: banheiro, água, bateria do celular. Manhã de outono em Arashiyama é fria e úmida perto do rio, mas você esquenta rápido andando, então aposte em camadas.
No Yoshimura, peça mesa no segundo andar (a vista para a ponte é toda dali) e chegue antes das 11h30 se quiser evitar fila. No % Arabica a fila parece assustadora e não é: ela anda rápido. No Nishiki, leve dinheiro vivo, muitas barracas pequenas não passam cartão, e coma andando só onde houver um balcão para isso. Comer caminhando pelo corredor é malvisto.
Para Arashiyama, a linha JR Sagano leva cerca de 15 minutos de Kyoto até Saga Arashiyama. O bambuzal fica a 10 minutos a pé da estação. De Arashiyama até o Kinkaku-ji, o caminho mais simples é o trem Randen até Kitano Hakubaicho e depois ônibus ou táxi por uns 10 minutos. De táxi direto são cerca de 30 minutos. Do Kinkaku-ji para o centro, os ônibus 12 e 205 descem até a região de Shijo, perto do Nishiki. Os ônibus de Kyoto entram pela porta de trás e você paga ao descer.
O Kinkaku-ji que você vê é uma reconstrução de 1955. O pavilhão original foi destruído por um incêndio criminoso em 1950, provocado por um jovem monge, episódio que virou o romance de Yukio Mishima sobre o templo. Saber disso muda um pouco o que se sente ali na beira do lago. No mercado Nishiki, repare nos toldos listrados em verde, amarelo e vermelho: são as cores do mercado e aparecem em toda a extensão do corredor.
Arashiyama Bamboo Grove
Alameda de bambu moso no bairro de Sagano, em Arashiyama, com colmos altíssimos formando um corredor fechado.
Tenryu-ji garden
Templo principal de um ramo do zen Rinzai, em Arashiyama, com um jardim de lago que emoldura as montanhas ao fundo. É Patrimônio Mundial da UNESCO.
% Arabica Kyoto Arashiyama
Cafeteria de especialidade com fachada de vidro voltada para o rio Katsura e para a ponte Togetsukyo, em Arashiyama.
Arashiyama Yoshimura
Casa de soba em Arashiyama, com salão voltado para o rio Katsura e o Togetsukyo.
Kinkaku-ji (Golden Pavilion)
Pavilhão de três andares coberto de folha de ouro nos dois pisos superiores, refletido num lago, no noroeste de Kyoto. Oficialmente chama-se Rokuon-ji e é Patrimônio Mundial da UNESCO.
Nishiki Market
Corredor coberto de cerca de 400 metros no centro de Kyoto, com mais de cem lojas de peixe, conservas, doces, chá e utensílios. É chamado de cozinha de Kyoto.
Northern Kyoto
Nublado
Este é o dia mais tranquilo de todos, e o mais bonito se as folhas estiverem no ponto. Tudo acontece numa linha só, de norte para sul, ao longo do canal de Biwa. Do Ginkaku-ji você desce o Caminho do Filósofo até a região do Nanzen-ji, para para o café numa machiya restaurada, almoça tofu fervido num jardim e termina a tarde no Eikan-do, o templo dos bordos de Kyoto. À noite, o rio, com jantar de vários pratos em Pontocho.
O percurso a pé do dia dá uns 4 km, quase todo plano, com um trecho de subida no Ginkaku-ji e outro na porta Sanmon do Nanzen-ji. Reserve o kaiseki com bastante antecedência e avise sobre restrições alimentares na reserva, não na mesa. Peça mesa na janela.
Se a viagem for entre maio e setembro, os restaurantes de Pontocho montam as varandas de madeira sobre o rio, as kawayuka, e é a melhor mesa da cidade. Fora dessa temporada o jantar acontece dentro, com a mesma comida e outra vista. O Eikan-do tem ingresso mais caro no período das folhas e abre à noite para a iluminação, com fila. Escolha uma coisa ou outra, luz do fim de tarde ou iluminação noturna, tentar as duas cansa.
Do centro, os ônibus 5, 17 e 100 chegam ao Ginkaku-ji em 30 a 40 minutos. Depois disso você não precisa de transporte até a noite: o Caminho do Filósofo, o Nanzen-ji e o Eikan-do estão todos a distância de caminhada, num raio de 2 km. Para Pontocho, o metrô Tozai da estação Keage até Sanjo Keihan leva 5 minutos e deixa você a dois minutos da entrada do beco. Pontocho é estreito, sem calçada e cheio de bicicletas, então ande em fila.
O Suirokaku, o aqueduto de tijolos vermelhos que corta o terreno do Nanzen-ji, é de 1888 e faz parte do canal que traz água do lago Biwa até Kyoto. Essa mesma obra alimentou a primeira usina hidrelétrica comercial do Japão, em Keage, que por sua vez fez andar o primeiro bonde elétrico do país. É estranho e ótimo ver engenharia da era Meiji encaixada dentro de um templo zen do século XIII.
Ginkaku-ji (Silver Pavilion)
Templo zen no sopé das montanhas do leste, oficialmente Jisho-ji, com um pavilhão de madeira escura, um jardim de musgo e esculturas de areia branca. É Patrimônio Mundial da UNESCO.
Philosopher's Path
Caminho de pedestres ao lado de um canal, entre o Ginkaku-ji e a região do Nanzen-ji, com cerejeiras e bordos plantados nas duas margens.
Blue Bottle Coffee Kyoto
Cafeteria instalada numa machiya, a casa de madeira tradicional de Kyoto, com pátio interno, na região do Nanzen-ji.
Junsei
Restaurante de tofu fervido em terreno ajardinado ao lado do Nanzen-ji, servido em salas de tatame com vista para o jardim.
Nanzen-ji aqueduct
Aqueduto de arcos de tijolo vermelho que atravessa o terreno do templo Nanzen-ji, templo principal de um ramo do zen Rinzai.
Eikan-do Zenrin-ji
Templo budista no sopé das montanhas do leste, com jardim, lago e milhares de bordos. O nome oficial é Zenrin-ji.
Pontocho kaiseki dinner
Beco estreito de restaurantes entre as ruas Shijo e Sanjo, paralelo ao rio Kamo, onde se serve kaiseki, o jantar japonês de vários pratos em sequência.
Nara
Parcialmente nublado
Nara foi capital antes de Kyoto e tem uma escala diferente: menos ruelas, mais espaço aberto. Tudo o que você vai ver hoje cabe num parque só, e o parque é gigante. Começa pelo pagode de cinco andares do Kofuku-ji, logo acima da estação, segue para o Grande Buda do Todai-ji, atravessa o gramado dos cervos, almoça kamameshi e sobe a alameda de lanternas até o Kasuga Taisha. O jantar é em Naramachi, o bairro antigo de comerciantes.
Guarde qualquer coisa comestível dentro da mochila fechada, inclusive papel: os cervos abrem bolsa, puxam mapa e mordiscam sacola. Compre o shika senbei só dos vendedores licenciados do parque e entregue tudo de uma vez, senão vira cerco.
A caminhada do dia passa de 6 km, boa parte em cascalho e trilha de terra. Leve um casaco leve, a subida para o Kasuga Taisha é dentro da floresta e fica bem mais fresca. Alguns pavilhões de Nara entram em restauração por longos períodos, então confira antes se algo do seu roteiro está coberto por andaimes. No Shizuka, o kamameshi é feito na hora e leva uns 20 minutos, o que é ótimo motivo para sentar sem pressa.
O limited express da Kintetsu sai de Kyoto e chega em Kintetsu Nara em cerca de 35 minutos, com assento marcado e taxa extra. O rapid da JR leva um pouco mais e está incluído no JR Pass, mas a estação JR Nara fica mais longe do parque. Dentro de Nara você faz tudo a pé, com um ônibus de circulação disponível se as pernas pedirem. Guarde o bilhete de volta ainda de manhã se quiser trem confortável no horário do jantar.
Os cervos de Nara não são decoração turística. Na tradição xintoísta local eles são mensageiros dos deuses do Kasuga Taisha, e por isso foram protegidos por séculos. Muitos aprenderam a curvar a cabeça para pedir biscoito, o que diverte mais os japoneses do que os estrangeiros. No Kasuga Taisha, as milhares de lanternas de pedra e bronze só são acesas duas vezes por ano, em fevereiro e em agosto. No resto do tempo, o que impressiona é a fileira delas subindo pela floresta.
Kyoto Station → Nara
A conexão ferroviária entre Kyoto e Nara, feita por duas empresas concorrentes que saem da mesma estação de Kyoto.
Kofuku-ji
Templo budista no alto da colina que separa o centro de Nara do parque dos cervos, com um pagode de cinco andares que é um dos mais altos do Japão.
Todai-ji Great Buddha
Templo budista de Nara que abriga um Buda de bronze de cerca de 15 metros num salão de madeira colossal. É Patrimônio Mundial da UNESCO.
Nara deer park
O grande parque no centro de Nara, onde mais de mil cervos sika circulam soltos entre templos, gramados e trilhas de floresta.
Shizuka kamameshi
Restaurante de kamameshi em Nara, o arroz cozido com coberturas dentro de uma panela de ferro individual, servido na própria panela.
Kasuga Taisha
Santuário xintoísta de colunas vermelhas na borda da floresta de Nara, cercado por milhares de lanternas de pedra e bronze doadas por fiéis. É Patrimônio Mundial da UNESCO.
Hiraso Naramachi
Casa de kakinoha zushi em Naramachi, o antigo bairro de comerciantes de Nara, com salão de refeições e venda de caixas para viagem.
Central Kyoto
Nublado
O último dia é curto de propósito. Um café bem-feito no centro, dois templos grandes a poucos minutos da estação de Kyoto e um ramen antes de embarcar. Tudo dentro de um raio pequeno, sem correria e sem risco de perder o trem, com folga suficiente para comprar omiyage na estação.
Deixe a mala nos armários da estação de Kyoto logo cedo, ou use o serviço de bagagem do hotel. Os armários grandes acabam rápido entre 9h e 10h, e os que ficam no subsolo perto da saída Hachijo costumam ter mais vagas.
O To-ji abre cedo e a primeira hora é a melhor para o reflexo do pagode no lago, antes de a luz endurecer. Se a viagem cair no dia 21 de qualquer mês, o terreno do To-ji recebe a feira Kobo-san, com centenas de barracas de antiguidades, cerâmica e comida, e aí vale reorganizar a manhã inteira em torno dela. No Weekenders Coffee não há mesa, você toma em pé no balcão, e é assim mesmo.
Do centro até o To-ji, o metrô Karasuma vai até Kyoto e o resto são 15 minutos a pé, ou uma parada da linha Kintetsu até Toji. O Higashi Hongan-ji fica a 10 minutos a pé da estação, no caminho de volta. Para o Shinkansen, chegue ao portão da Tokaido com 20 minutos de sobra: as plataformas ficam num nível separado e a caminhada de dentro da estação é maior do que parece. O Nozomi leva pouco mais de duas horas até Tóquio.
O pagode do To-ji tem 55 metros e é a torre de madeira mais alta do Japão. Já foi destruído por raios várias vezes ao longo dos séculos e sempre reconstruído na mesma forma. No Higashi Hongan-ji, procure as cordas expostas perto do salão principal: foram trançadas com cabelo doado por fiéis quando as cordas comuns arrebentavam durante a reconstrução do templo, no fim do século XIX. Compre o ekiben antes de passar a catraca, a escolha é bem maior lá fora.
Weekenders Coffee Tominokoji
Micro torrefação e balcão de café no centro de Kyoto, escondida no pátio de um estacionamento, a poucos minutos do mercado Nishiki.
To-ji pagoda
Templo budista perto da estação de Kyoto, com um pagode de cinco andares de 55 metros refletido num lago. É Patrimônio Mundial da UNESCO.
Higashi Hongan-ji
Templo budista de dimensões enormes perto da estação de Kyoto, sede de um dos ramos do budismo da Terra Pura.
Honke Daiichi-Asahi
Casa de ramen tradicional a poucos passos da estação de Kyoto, com caldo de shoyu e uma camada generosa de cebolinha.
Kyoto Station, Shinkansen out
A estação central de Kyoto e o embarque no Shinkansen da linha Tokaido, que liga a cidade a Osaka, Nagoya e Tóquio.
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